Especial Doctor Who? – Parte 1/5

“Eu tenho algumas coisas para dizer pra você, coisas básicas antes, nunca seja cruel, nunca seja covarde – e nunca coma peras! Lembre-se: O ódio é sempre tolo e o amor é sempre sábio. Sempre tente ser bom, mas nunca falhe em ser gentil.
Nunca conte seu nome, ninguém iria entender de qualquer maneira. Exceto as crianças, as crianças entendem às vezes, se seus corações estiverem no lugar certo e as estrelas estiverem também, as crianças conseguem ouvir o seu nome, mas ninguém mais, nunca!
Ria bastante, corra rápido, seja gentil…
Doutor, eu deixo você ir…”

Com esse discurso nos despedimos de Peter Capaldi, o 12º Doutor, no Especial de Natal de Doctor Who em 25 de Dezembro de 2017. E pela primeira vez na história da série de fantasia e ficção científica da BBC, nós vimos o Doutor passar por uma Regeneração e se tornar uma mulher, a 13ª Doutora, Jodie Whittaker. Iniciou-se a Era Whittaker em 7 de Outubro de 2018 com o 1º episódio da 11ª temporada, intitulado “The Woman who Fell to Earth”.

Mas o que significa isso? 12º Doutor, 13ª Doutora, como assim Peter Capaldi virou Jodie Whittaker, o que seria Regeneração e que discurso mais sem sentido é esse?

Provavelmente você já ouviu falar de Doctor Who antes e mais de uma vez. É bem possível que tenha assistido a algum episódio aleatório no Syfy, na TV Cultura ou até mesmo se deparou com a estreia da série no Crackle em 07/10/2018. Talvez você até tenha visto algum Especial passando nos cinemas como ocorreu nos últimos anos quando a série ganhou mais visibilidade internacional.

Então o que é Doctor Who afinal?

Doctor-Who

Basicamente eis o que você precisa saber para começar a assistir a série a partir do S11E01:

O Doutor é um alienígena do planeta Gallifrey. Sim, apenas Doutor, afinal ele nunca diz seu verdadeiro nome a ninguém (a não ser a determinada personagem da qual falaremos em outro momento). Ele faz parte dos Senhores do Tempo (Timelords). E ele viaja através do tempo e do espaço em sua nave, a TARDIS (Time and Relative Dimensions in Space) que tem a aparência de uma cabine telefônica policial na cor azul. Vale ressaltar: ela é maior por dentro, muito maior (e você ouvirá isso inúmeras vezes ao longo da série). E o Doutor dedica-se a explorar mundos e civilizações em diferentes épocas a fim de solucionar mistérios, resolver intrigas, lutar em conflitos, em suma, salvar pessoas, aliens, mundos, universos e o próprio tempo. Suas armas? Uma Chave de Fenda Sônica (Sonic Screwdriver) e sua própria inteligência. Seu exército? Ele não tem um, mas sempre tem um ou mais companheiros que viajam ao seu lado para auxiliá-lo. Sua personalidade e aparência: variam com o tempo. Ele pode ser tanto um bobo alegre quanto um velho irascível; pode ser um tipo heróico e ingênuo quanto um homem sarcástico e impaciente. Vamos falar de regenerações para justificar como a série está no ar há mais de 50 anos.

Doze Doutores e Uma Doutora (até agora)

doctors

Doctor Who estreou na BBC em 1963 e tinha como proposta inicial ser uma série de TV educativa falando de História mostrando o Doutor e sua neta viajando através do tempo. Esse conceito era muito promissor e acabou evoluindo para algo maior.

Depois de alguns anos no papel do Doutor, William Hartnell estava com idade avançada e havia a necessidade de substituí-lo no papel, já que a série era um sucesso e a BBC tinha a intenção de continuar. Dessa forma foi criado o conceito de Regeneração, um poder típico dos Timelords para trapacear a morte: na hora final do Timelord, seu corpo e sua aparência e personalidade morrem e são reconstruídos em um processo doloroso e traumático. O Doutor assume uma aparência totalmente diferente da anterior e seu jeito de ser muda, mas ele ou ela conserva todas as memórias anteriores. Daí é o processo de se acostumar com a nova identidade e seguir em frente. Um belo truque pra justificar a longevidade da série, não?

tardis

Apesar dessa mudança brusca nem tudo fica diferente. A TARDIS é sempre a mesma, embora seu design exterior e interior sofra leves alterações com o tempo. O Doutor sempre terá uma Chave de Fenda Sônica no bolso, embora o design dela também passe por atualizações com o tempo. Vilões recorrentes como os Daleks, Cybermen, Zygons, Sontarans e o famigerado e infame Mestre sempre ressurgirão com novos planos mirabolantes para derrotar o Doutor. A música de abertura na essência também é a mesma, sofrendo alterações com o avanço do tempo e das tecnologias envolvidas.

Confira todas as aberturas que a série já teve abaixo:

Série Clássica (1963-1989)

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Com essa sacada de gênio da BBC, a Série Clássica teve 26 temporadas entre 1963 e 1989. Ao todo Doctor Who contou com 7 diferentes intérpretes. São eles:

1st Doctor: William Hartnell
2nd Doctor: Patrick Throughton
3rd Doctor: Jon Pertwee
4th Doctor: Tom Baker
5th Doctor: Peter Davison
6th Doctor: Colin Baker
7th Doctor: Sylverster McCoy

Se você tiver interesse em ver como foram as Regenerações assista no link da playlist abaixo (mas claro que contém spoilers):

Regenerações de Doctor Who

Filme (1996)

O filme de Doctor Who nos brindou com a última aparição de Sylvester McCoy no papel e mostrou sua regeneração no 8th Doctor: Paul McGann. Apesar de ter atuado somente nesse filme (e no webisode especial The Night of The Doctor em comemoração aos 50 anos da série), McGann atuou por muitos anos como o Doutor nos audiodramas da Big Finish. Sim, Doctor Who conta com mais esse recurso narrativo: histórias dramatizadas em áudio contando outras aventuras do Doutor e seus companheiros além dos episódios da TV, dos livros e dos quadrinhos também.

Preciso ver 26 temporadas antigas antes de ver a Série Moderna?

Embora a Série Clássica seja importantíssima no cânone de Doctor Who por estabelecer toda a base do que a série se tornou, não é essencial que você assista tudo se quiser começar agora. Embora a continuidade respeite todo o cânone estabelecido pela série clássica e eventualmente retome arcos e personagens em participações especiais, há três momentos da Série Moderna em que você poderia dar início à sua maratona:

1) Rose, o S01E01 de 2005 (que foi por onde comecei), onde conhecemos o Doutor já salvando a sua nova companheira e correndo com ela de mãos dadas de um bando de manequins de plástico vivo (uma ameaça um pouco esdrúxula pra um reinício da série, mas o melhor ainda está por vir se você acreditar em mim);
2) The Eleventh Hour, o S05E01 de 2010, que representou tanto um reinício da série por conta da troca de Doutores (de David Tennant para Matt Smith) quanto na troca de Showrunners (de Russel T Davies para Steven Moffat);
3) E, por fim, com o S11E01: The Woman Who fell to Earth, que também representa um novo início com uma nova Doutora e um novo Showrunner, no caso Chris Chibnall (Broadchurch).

E aí, se interessou? Nas próximas 4 partes de Doctor Who falaremos brevemente sobre a Série Moderna (2005-2018) dando um apanhado geral de tudo o que é essencial saber para começar a nova temporada.

Por: Israel Pinho